segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Workaholic é coisa do passado !!!

Os workaholics — aqueles profissionais que trabalham demais por prazer ou vício — estão perdendo espaço. Cresce o número de empresas que criam programas para encorajar empregados a equilibrarem suas vidas profissional e privada. Até porque, eles custam caro e elas percebem que funcionário que trabalha 12 horas por dia tem prazo de longevidade menor. Mas o caminho a percorrer é longo: pesquisa do International Stress Management Association no Brasil (ISMA-BR) mostra que hoje executivos de empresas privadas e profissionais liberais trabalham de 50 a 52 horas semanais, apesar de a Constituição limitar a carga a 44 horas.
— Há empresas que começam a encarar a obsessão por trabalho como um desequilíbrio, que reduz a visão de mundo, compromete a criatividade e prejudica o processo de tomada de decisão — destaca Jacqueline Resch, da Resch RH.
Uma das dificuldades para implantar essa mudança de comportamento, diz a presidente da ISMA-BR, Ana Maria Rossi, é que muitas companhias querem que esses funcionários desacelerem , mas seus líderes não mudam o hábito de permanecer muitas horas na empresa, trabalhando:
— É o velho ditado do “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Aí, o funcionário pensa: “será que meu chefe espera que eu também destine mais horas de trabalho à empresa?”. O líder precisa dar esse exemplo.
Para corrigir problemas como esse, a Nokia implantou o programa “Apagar as luzes”: de segunda a quinta, às 20h, e às sextas, às 19h, todos os andares da empresa ficam às escuras.
— Muitos funcionários faziam jornadas de 12 horas diárias. Isso pode ser necessário uma vez ou outra, mas percebemos que era mais um hábito — explica o diretor de RH da companhia, Marcos Cominato.
Ex-workaholic vira exemplo em campanha
Cominato diz ainda que, para casos de necessidade — como teleconferências com executivos de países com fuso horário diferente — a empresa mantém uma sala em funcionamento. Mas acrescenta que o apagão não é uma ação isolada. Já que o workaholic se compromete tanto com metas e resultados — o que o faz trabalhar até nos fins de semana e nas férias — a Nokia lançou outro programa, de palestras, que visa a despertar a da importância de se realizar outras atividades.
Na GlaxoSmithKline, o supervisor de administração de pessoal Marco Antônio Borges, antes um workaholic confesso — ele chegara a se mudar para perto da empresa para chegar mais rapidamente no trabalho — virou modelo de uma campanha interna para que os funcionários tivessem mais qualidade de vida:
— Fiquei cinco anos sem tirar férias de verdade. Agora, eu levo meu filho para a natação de manhã, e faço aulas de vôlei e inglês.
24/10/2005 - Fonte: O Globo

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