segunda-feira, 24 de outubro de 2005

Trabalhar demais não significa produtividade !!!

O workaholic pode até ser visto como um profissional pouco produtivo, já que não sabe se organizar nas oito horas diárias e costuma levar trabalho para casa, dizem especialistas. Por isso, há empresas que estão investindo em cursos e palestras de gestão do tempo.
— E, com o tempo, a produção tende a cair, uma conseqüência de estresse, estafa e até doenças cardiovasculares. Pesquisas mostram que 70% da população economicamente ativa no Brasil sofre de estresse profissional. Por isso, há companhias se engajando nesse pensamento de desaceleração — diz Ana Maria Rossi, da ISMA-BR.
Nos momentos de crise, dedicação é bem-vinda
Mas há algum momento em que o workaholic é valorizado e até bem-vindo? Sim, dizem os consultores empresariais: nos casos de reestruturação organizacional, fusão ou aquisição e venda de empresas, em que a empresa precisa de toda a dedicação dos profissionais para voltar ao mercado de forma competitiva. Mas é bom ter cuidado com o excesso.
— Às vezes, é um equilíbrio difícil de se atingir, principalmente quando vemos o enxugamento dos quadros de pessoal, que resulta em sobrecarga de trabalho — frisa Marina Vergili, vice-presidente da Fesa Global Recruiters (empresa de recrutamento de executivos).
Mas não é impossível, e o supervisor de administração de pessoal Marco Antônio Borges é um exemplo. Há três anos, depois da fusão de três empresas que deram origem à GlaxoSmithKline (GSK), ele começou a mudar seus hábitos.
— Antes da fusão, por cinco anos, trabalhei 12 horas por dia, inclusive nos fins de semana. Cheguei a me separar da minha mulher. Mas a mudança não foi imposta pela nova filosofia da empresa, que de fato valoriza muito a qualidade de vida. Foi uma mudança dentro de mim — garante Borges.
Borges retomou seu casamento, teve um filho, estuda inglês e joga vôlei. E, há três meses, junto com a gerente de RH da empresa, Tatiana Melamed, implantou na empresa o “Banco de horas”, que ajuda a evitar os excessos:
— Metade das horas extras dos funcionários são pagas, e a outra metade vai para o banco, para que tirem folgas, cheguem mais tarde ou saiam mais cedo quando quiserem. Além de sair mais barato para a empresa, incentivamos os profissionais a passarem mais tempo com a família ou fazendo o que gostam — explica o supervisor da GSK, que agora também é modelo da campanha interna de equilíbrio.
Em companhia aérea, tempo de tarefa é monitorado
Como na Nokia, a Team, companhia aérea que faz vôos executivos regionais, criou uma forma de impor limites aos funcionários que ficavam horas demais trabalhando. Trata-se de um software que registra o início e o fim de uma tarefa.
— Nosso quadro tem muitos jovens, bastante qualificados, e essa garotada gosta de mostrar serviço. Se deixar, ficam até às 22h pra fazer tarefas que não são tão urgentes. Mas não é nada policialesco. Só queremos mostrar que completá-las em menos tempo significa que estamos conseguindo otimizar nosso trabalho e não que estamos trabalhando de menos — diz o diretor-presidente da Team, Mário Cesar Moreira.
IMPONDO LIMITES: Apesar de a mudança de comportamento depender do profissional workaholic , as empresas podem dar um empurrãozinho determinando um horário limite para os funcionários irem embora, se isso for possível. Outra opção é criar um banco de horas e determinar que o tempo a mais no trabalho seja revertido em folgas.
ORGANIZAÇÃO: A empresa pode promover palestras, de especialistas, para mostrar ao funcionário como, com técnicas e dicas de organização, ele pode gerenciar seu tempo de forma eficiente. E o mais importante: conscientizar o profissional sobre a importância de adquirir novos hábitos para obter mais qualidade de vida.
LIDERANÇAS: Além de encorajar os funcionários a fixarem prioridades, as empresas devem apostar na formação de líderes conscientes, que dêem o exemplo.
ENGAJAMENTO: Mais empresas se engajam em programas para pôr fim ao workaholic . É que, com o tempo, sua produção, segundo consultores, tende a cair — consequência de estresse, estafa e até doenças cardiovasculares.
24/10/2005 - Fonte: O Globo

Nenhum comentário: