terça-feira, 27 de maio de 2008

Criatividade

Aproveitem esse video do grande Mario Persona, analisando aspectos da criatividade de uma forma simples, que podem ser aplicadas no nosso dia-a-dia...
Sucesso a todos!!

sábado, 17 de maio de 2008

Criatividade e simplicidade

“Pediram a um grilo que citasse três animais mansos e três animais ferozes e o grilo não hesitou em listar, como animais mansos, o leão, o tigre e a cascavel; e, como animais ferozes, o pardal, a rã e a galinha.”

No dicionário criatividade é a qualidade do criativo; capacidade criadora; inventividade.

Segundo uma das maiores autoridades no mundo em Pesquisa da Criatividade, Edward de Bono: “criatividade não é simplesmente uma maneira de fazer melhor as coisas. Sem ela, somos incapazes de fazer pleno uso das informações e experiências que já estão disponíveis e estão presas a antigas estruturas, padrões, conceitos e percepções."

Para Maslow, criador da famosa pirâmide que levou seu nome é: “atividade mental organizada, visando obter soluções originais para satisfação de necessidades e desejos".

Eu gosto de pensar que é a criação de soluções simples e originais para problemas complexos e aparentemente sem solução. Por isto, a frase que mais gosto é do músico Charles Mingos: “complicar o simples é fácil. Criatividade é tornar o complicado em simples".

Infelizmente o que acontece na maior parte das vezes é exatamente o oposto, soluções complexas que ao invés de simplificar nossas vidas, trazem mais problemas, burocracias e dificuldades.

Edward de Bono, em uma de suas últimas obras "Simplicity", fala da simplicidade como uma questão estratégica. Diz que "sem simplicidade, acontecem pelo menos duas coisas: Primeiro, a vida se torna mais complexa e as pessoas mais ansiosas. Segundo, não estaremos em condições de tirar vantagem de tudo o que o desenvolvimento tecnológico oferece. Portanto, a simplicidade se transformará num valor-chave ou central, ou seja, como projetar alguma coisa para que seja simples" (Entrevista para a revista HSM Management em abril de 2001).

Ainda nesta entrevista perguntou: “De que adianta uma super filmadora com milhares de funções se apenas 5% das pessoas conseguem usar mais de 10%?

Tudo deveria ser mais simples, as empresas, instituições, processos, equipamentos eletrônicos, Web Sites, Softwares, governos e principalmente as pessoas.

Idéias criativas podem resolver problemas com simplicidade.

Vejam um exemplo do que acabo de falar:

Eu não gosto dos desodorizadores que ficam pendurados nas privadas dos banheiros e que servem para deixá-las limpas e com bom cheiro. Além de estética discutível, às vezes se soltam e ainda tem o contato físico para troca do refil.

Na casa da minha cunhada todas as descargas são do tipo que, após o uso, temos que aguardar alguns instantes até que o nível de água se encha, para só então, voltarem a ser utilizadas. Exatamente como na minha e em muitas outras casas no Brasil.

Muito bem, após usar o banheiro utilizei a descarga e reparei que a água tinha ficado azul e perfumada. Não entendi, procurei o desodorizador e nada? Ainda demorei alguns instantes até compreender o havia acontecido.

Ela teve o “insight” de colocá-lo dentro do recipiente onde a água da descarga é armazenada. Assim, toda vez que a descarga é acionada, a água fica perfumada.

Esta idéia me lembrou mais uma das célebres frases de Einstein: "Se no início a idéia não parecer absurda, não há esperanças para ela.”

Achei genial a solução e me perguntei: por que não pensei nisto antes?

Normalmente as idéias criativas são tão simples e obvias que ficamos com essa estranha sensação.

Bastou apenas um olhar diferente para o "problema", sobre um outro ponto de vista e pronto, surgiu uma solução simples e original. Não era perfeita e muito menos a mais econômica, na verdade foi uma improvisação, mas enfim, resolveu o problema dela e o meu por tabela.

Ela pensou diferente, fora dos padrões normais e solucionou criativamente o seu problema. O professor Edward de Bono chama este raciocínio de: “pensamento lateral”.

Para explicar, diz que podemos raciocinar de duas maneiras diferentes:

Verticalmente: “cavando cada vez mais fundo sempre no mesmo lugar".

É quando insistimos em resolver problemas utilizando apenas com nossos conhecimentos e experiências.

Lateralmente: "cavando em outros lugares quando não achamos o que estamos procurando".

Ou seja, é quando diante de um problema novo, desconhecido ou aparentemente impossível, damos asas à imaginação nos libertando das regras e amarras da nossa educação e sociedade.

Horácio Soares



segunda-feira, 5 de maio de 2008

Os Efeitos Colaterais Da Remuneração Variável

Forma de reconhecimento e motivação que substituiu as promoções hierárquicas, a remuneração variável traz conseqüências nem sempre tão positivas para os colaboradores e principalmente para a organização.

Praticamente impensável há alguns anos, a remuneração variável (como forma de compensação financeira pelo esforço das pessoas em produzir resultados nas empresas) é hoje reconhecidamente um dos produtos mais cobiçados das atuais políticas de RH.

Na verdade, uma lógica maior por trás desta ferramenta deu condições para que ela aparecesse com peso e legitimidade no contexto organizacional: a lógica financeira. Esta “força” tem invadido e condicionado a maior parte das políticas e estratégias organizacionais nos últimos tempos. Ou o resultado financeiro aparece e é o grande objetivo a ser produzido, ou nada fará sentido na empresa. Parece uma lógica reducionista, porém tem sido disseminada como o sentido da existência organizacional e da sobrevivência do acionista. Tudo se subordina a ela.,

Neste contexto nasceu a remuneração variável. Se por um lado é filha da racionalidade financeira, por outro veio resolver uma equação que até os anos 90 ainda não tinha sido decifrada, talvez exatamente porque os cenários internos ainda não fossem “estabelecidos” o suficiente. Como motivar pessoas sem movimentá-las na estrutura de cargos e posições da empresa? Até então (com as exceções de sempre - os vendedores, e os raros prêmios de algumas empresas) não era possível conceber um aumento de salário sem a devida movimentação na estrutura e a indesejável incorporação ao salário fixo.

Nestas épocas, uma movimentação vertical ascendente ou promoção, era a grande aspiração de todo funcionário, pois em termos de motivação o pacote vinha completo. Proporcionava pelo menos quatro níveis motivacionais se considerarmos apenas a teoria do velho e bom dr. Maslow: segurança no emprego, reconhecimento, auto-estima positiva e auto-realização. Ou seja, era muito potente o impacto na pessoa, em sua performance e no seu vínculo com a empresa.

A promoção era, e ainda é, um tipo de movimentação que mobiliza as aspirações das pessoas, mas que hoje é utilizada com baixíssima freqüência, principalmente em função das estruturas enxutas que as empresas desenvolveram para enfrentar os novos tempos. Movimentar-se na vertical ascendente hoje é quase um privilégio.

Pois bem, e o que fazer com as aspirações motivacionais neste novo quadro? Como administrar pessoas com esta séria restrição, num cenário de alta competitividade em que a motivação é sinônimo de comprometimento com resultados?

Tudo “conspirava” para o nascimento da remuneração variável.

Porém, vamos concentrar a análise no impacto desta ferramenta sobre a performance e o vínculo da pessoa com seu trabalho. Aqui, parece estarmos diante de um dilema velho conhecido, e que reapareceu “modernizado”. Sabemos que a compensação financeira provoca saltos significativos na performance das pessoas, mas não consegue sustentá-la em alta por tempos muito longos. Diferentemente de formas sociais de reconhecimento, a performance tende a cair “na espera” de outro estímulo financeira.

Dito de outra forma, este tipo de recompensa condiciona a performance à sua presença. Portanto, na sua ausência, a performance cai de freqüência e tende a desaparecer. O dilema entre condicionar ou motivar pessoas para o trabalho reaparece com toda força em novo contexto.

Em relação ao contrato psicológico (vínculo) da pessoa com a empresa, pode-se dizer que certamente este tipo de recompensa faz o vínculo se volatilizar. Isto porque pessoas altamente orientadas no sentido das recompensas financeiras transferem esta lógica ao seu vínculo com a empresa e estabelecem sua permanência ali ou nos trabalhos para os quais são responsáveis. Quer dizer, será necessário ganhar sempre para que a performance se sustente, e quando o ganho não vem a relação de permanência é questionada. Mais ainda, sabemos que pessoas que se vinculam por condicionamento desenvolvem insuficientemente outros comportamentos desejados na administração contemporânea: comprometimento com resultados, interesse em inovar, trabalho com qualidade...

Desta forma, o que se apresenta como desafio é como garantir ambientes de alta performance e de vínculos compromissados entre pessoas e empresa com as restrições da mais poderosa recompensa utilizada hoje: o dinheiro. Nem Taylor saberia sair desta, mesmo sendo ele um dos pais da idéia.

Luís Felipe Cortoni