quarta-feira, 28 de setembro de 2005

Falar bem: uma exigência do mercado

Quem não já saiu encantado de uma palestra ou mesmo sentiu-se "tentado" a ficar, do início até o final, diante de uma entrevista concedida na TV? Quem também não se levantou durante uma apresentação, saindo desconsolado, pois o orador não atendeu às suas expectativas? Cenas como essas são comuns de serem registradas nos mais variados segmentos profissionais. Mas, por que será que algumas pessoas conseguem comunicar-se bem e outras, apesar de uma ótima bagagem profissional, não transmitem um conteúdo que encanta e prende a atenção do público? Para responder essas e outras questões, o RH.com.br entrevistou Reinaldo Polito. Mestre em ciências da comunicação, professor de expressão verbal, palestrante e escritor, ele já publicou 15 livros no Brasil e no exterior. Dentre suas obras, encontramos "Como falar corretamente e sem inibições", Editora Saraiva, com 109 edições. "A dificuldade de se comunicar é um sentimento de impotência que tolhe e pressiona a pessoa", afirma Polito. Se você sente dificuldades para se comunicar ou mesmo conhece alguém que enfrenta esse problema, aproveite a leitura e confira as dicas desse especialista da área. Boa leitura!
RH.com.br - Qual a definição para a boa comunicação?
Reinaldo Polito - A melhor comunicação é aquela que atinge seus objetivos. Assim, é boa a comunicação usada por aquele que consegue expor e aprovar um projeto, que participa de uma dinâmica de grupo ou de uma entrevista e conquista o cargo pretendido, que defende um trabalho acadêmico e sai vitorioso diante da banca julgadora, que participa de uma campanha eleitoral e se elege. Não adiantaria nada achar que falou bem se a pessoa saiu derrotada de uma empreitada. Comunicação, portanto, não é apenas estética, mas sim, e principalmente, resultado. Para entender melhor esse conceito, basta analisar a comparação que se faz dos dois maiores oradores da antiguidade, Cícero e Demóstenes - quando Cícero falava, o povo exclamava "que maravilha, como fala esse homem"; quando Demóstenes falava, o povo marchava. Entretanto, para aumentar as chances de sucesso da comunicação, uma pessoa precisa ser natural, espontânea; falar com envolvimento, emoção; demonstrar que conhece o assunto que transmite; e ter coerência entre a mensagem que transmite e a forma como age.
RH - Por que as pessoas sentem dificuldade de falar em público?
Reinaldo Polito - Sentir dificuldade para falar em público é natural. A maioria se sente desconfortável para falar em público, embora o problema possa sempre ser resolvido com treinamento adequado. De maneira geral, a pessoa sente dificuldade para falar em público quando não conhece com profundidade o assunto que transmite, não sabe ordenar de maneira conveniente as etapas da apresentação, não tem experiência no uso da palavra em público, e, especialmente, não tem consciência das qualidades e dos aspectos positivos da sua comunicação.
RH - Comunicar bem é algo que nasce com o indivíduo ou qualquer um é capaz de falar com desenvoltura?
Reinaldo Polito - Qualquer pessoa é capaz de falar com desenvoltura. Sou professor de expressão verbal há 30 anos e nunca encontrei uma pessoa sequer, com boa vontade, determinada e aplicada que não conseguisse superar seus problemas de comunicação. Falar que o bom orador já nasce com esse dom é quase sempre uma boa desculpa daqueles que sentem dificuldade para falar em público, mas não querem enfrentar com disposição essa deficiência. Assim, é mais fácil dizer que falar bem é um dom que já nasce com a pessoa.
RH - O medo de falar em público tem que ser vencido apenas pela própria pessoa?
Reinaldo Polito - Na verdade o medo de falar em público só pode ser vencido pela própria pessoa. Ela pode recorrer à ajuda de especialistas, mas no fim essa será sempre uma conquista pessoal e quase solitária. Dependerá dela estudar muito o assunto que irá expor, dedicar-se ao aprendizado da ordenação didática da fala, aproveitar as oportunidades para praticar e descobrir cada dia mais onde estão suas qualidades oratórias.
RH - Existem técnicas ou ferramentas direcionadas para quem sente dificuldade de se comunicar?
Reinaldo Polito - A dificuldade de se comunicar é um sentimento de impotência que tolhe e pressiona a pessoa. Diante de um grupo ela não sabe como agir e se sente incapaz para encontrar uma saída para o problema. A melhor saída é começar a ler livros que tratam do assunto e, melhor ainda, fazer um bom curso de expressão verbal. Com esses recursos será possível usar de maneira apropriada a voz, o vocabulário, a expressão corporal, e aprender a praticar técnicas que gradativamente darão segurança e conforto para se apresentar em público. Não existe milagre, é preciso trabalhar bastante. Mas, vale a pena, o sacrifício será bem recompensado.
RH - Há um perfil específico para pessoas que sentem dificuldade de falar em público ou esse problema atinge profissionais das mais diferenciadas áreas?
Reinaldo Polito - Profissionais que atuam na área comercial ou se acostumaram a manter contato com o público, pela própria experiência, são mais comunicativos. Quem exerce funções burocráticas, sem muito contato com o público, deixa de praticar e, por isso, sente mais dificuldade. Há mitos, entretanto, que prejudicam e até atrapalham a carreira profissional. Por exemplo, ainda hoje se tem a impressão de que o advogado fala bem. Porque no passado quem fazia Direito era orientado para falar bem em público. Só que hoje, a fama do advogado é a de um profissional que se expressa bem, mas como ele não tem nenhum treinamento para falar em público vive tentando defender a imagem de alguém que fala bem, mas sem possuir essa qualificação. Da mesma forma o psicólogo, o fonoaudiólogo, que exercem atividades que exigem boa comunicação, mas que na realidade quase nunca se prepararam para falar em público.
RH - Falar bem se tornou uma competência exigida pelo mercado?
Reinaldo Polito - Quem não falar bem está fora do mercado. Vamos pensar em um profissional que exemplifica bem essa situação, o engenheiro. Normalmente esse profissional sai muito bem preparado da faculdade e, por isso, por causa do conhecimento que possui sobre matemática e pelo raciocínio lógico que desenvolve, sobe rapidamente na hierarquia da empresa. Muito depressa ele chega à supervisão, à gerência e à diretoria. Ocorre que nessas funções o que ele menos vai usar é engenharia, pois precisará participar de reuniões, processos de negociação, apresentar projetos, ou seja, precisará falar em público - e não se preparou para isso. Se não procurar profissionais especializados no ensino da comunicação poderá comprometer a carreira.
RH - Quem não se comunica bem, seja por inibição ou falta de prática, corre o risco de ser discriminado pelo mercado?
Reinaldo Polito - Imagine uma entrevista de emprego. Quando os candidatos são convidados para a entrevista possuem mais ou menos o mesmo preparo intelectual, a mesma formação, a mesma experiência. Assim vai ser selecionado quem for mais bem articulado, mais comunicativo, mais expressivo, mais persuasivo. Depois de ingressar na carreira profissional a avaliação continuará sendo a mesma - a comunicação será uma espécie de medida da competência.
RH - Existem técnicas para prender a atenção do ouvinte?
Reinaldo Polito - Inúmeras. Mudar o volume e a inflexão voz, movimentar-se com objetividade na frente do grupo, usar de forma apropriada recursos audiovisuais, interromper a exposição com pequenas histórias interessantes são alguns dos recursos que podem ser usados para manter a atenção e aumentar ainda mais o interesse dos ouvintes.
RH - Qual a melhor forma do orador avaliar a sua apresentação em público?
Reinaldo Polito - Pelo resultado obtido. Mas, quando os ouvintes riem, fazem perguntas, demonstram atenção e interesse, saem pouco da sala são sinais que indicam o bom resultado da apresentação. O teste do bumbum é excelente - quando o ouvinte permanece com o bumbum na cadeira, sem se levantar, a chance de ter feito uma boa apresentação aumenta.
RH - De que forma a área de RH pode auxiliar os profissionais a desenvolverem a competência de se comunicar bem?
Reinaldo Polito - Primeiro estimulando para que os profissionais aprimorem a comunicação e saibam como é importante falar bem. Depois encaminhar para cursos especializados. Economizar em curso de oratória não é medida inteligente. Todos os nove professores que trabalham na minha escola ficaram três anos fazendo estágio junto com professores mais experientes e mais dois anos praticando com supervisão. Significa que um professor só estará em condições de fazer bem o seu trabalho nessa área depois de cinco anos, no mínimo. Querer que o pessoal de treinamento, sem esse preparo, ensine os profissionais da empresa a falar em público é um risco que não vale a pena correr. Para ter uma idéia do interesse que as empresas passaram a ter pelo assunto, basta dizer que a Editora Saraiva acabou de lançar um livro meu intitulado "Superdicas para falar bem - em conversas e apresentações". Em apenas uma semana o livro já é o primeiro mais vendido em não ficção em toda a Rede Saraiva. Fui pesquisar o motivo do sucesso da obra e o resultado foi curioso, as empresas estão comprando em grande quantidade para distribuir para os seus empregados. Uma forma de estimulá-los ao aprendizado da comunicação com baixíssimo investimento.

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

BENÇÃO E A ALEGRIA DE SER RH

BENÇÃO E A ALEGRIA DE SER RH

Existe um país chamado RH.
Nele "mora" um povo especial: legisladores, educadores, técnicos, gente que cuida do pessoal.
Gente que recruta, seleciona e contrata, também paga, desconta e aposenta.

Povo que cuida da saúde, do alimento, providencia o transporte, cuida de quem bebe, de quem fuma, de quem tem problemas e pendências.

Povo que treina, desenvolve e recicla, que briga pelo salário e pelo benefício, conversa com o sindicato e com a direção.

Fiel da balança entre o Capital e o Trabalho.

Cuida de um, pensando no outro.

Gente que apesar de tanta função prática e burocrática, sonha e procura conectar a alma das
pessoas, "reinventar" a motivação, resgatar o brilho no olhar, gente que acredita no ser humano e garimpam talentos.

Seu grande desafio é fazer o concreto e sonhar com o abstrato, receber na chegada e desligar na saída, satisfazer o empregado e o patrão, "um olho na missa e o outro no padre", tempo para educar e tempo para punir. Plural e Singular.

A sina do RH é atuar na contradição, "ser empregado esquecendo que o é, ser patrão lembrando que não o é".

Chamam este País e seu povo de Recursos Humanos, alguns dizem que chamar o homem de "recurso" não pega bem, inventaram Departamento de Gente, Setor de Pessoas, Gestão de Pessoas, nomenclaturas onde o que conta são as posturas.

Polêmicas e contradições à parte, eu sei que para ser RH é preciso vocação, trabalhar como missão, exercer o ofício com sensibilidade e razão.

Ter nervos de aço, ser a régua e o compasso.

Autor desconhecido

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

Mais uma homenagem...

A missão de liderar e motivar pessoas
por Marcelo Reis(jornalista e editor do Relatório RH)

Tive a oportunidade de trabalhar com Luiz Carlos Campos durante 6 anos. Fui seu assessor de comunicação durante sua gestão na seccional Rio da Associação Brasileira de Recursos Humanos. Eu pouco sabia sobre RH, e como muitos, ainda tinha a velha visão do DP. Também estava começando a minha vida empreendedora como sócio de um escritório de comunicação empresarial. Por isso, Luiz Carlos foi um ser humano fundamental na minha vida e amadurecimento profissional, e pude constatar como ele foi importante na vida e amadurecimento profissional de tantas outras pessoas que puderam conhecê-lo e compartilhar horas de trabalho e de lazer ao seu lado.
Para mim, essa era a maior virtude dele, ser um líder nato, que mesmo nas divergências de opiniões conseguia manter o time unido. Isso não é tarefa fácil. O normal é abandonarmos o barco quando nossas convicções não sintonizam com as do gestor. Isso seria potencializado pelo fato do trabalho da grande maioria dos colaboradores da ABRH ser voluntário. Mas Luiz tinha o poder de seduzir as pessoas e fazê-las se apaixonar por uma causa. E essa causa era a ABRH e o maravilhoso mundo de Recursos Humanos que eu tive a oportunidade de conhecer. Assim como tantos outros, me apaixonei e hoje dedico grande parte do meu tempo a editar o Relatório RH e realizar projetos específicos na área de desenvolvimento humano e organizacional.
Mas, tenho absoluta certeza que a missão dele não terminou com sua partida. Sua vocação para motivar e ensinar pessoas era tão grande que até na sua despedida ele nos leva a refletir. Ao tomar conhecimento dos seus problemas de saúde durante o Congresso Mundial de RH no ano passado, fui imediatamente levado a questionar meu relacionamento com o trabalho. Quando estou apaixonado sou um workaholic. Começo uma atividade e não paro enquanto não terminá-la. A pressão muitas vezes vem de dentro de mim mesmo. Não existem prazos para entregar o trabalho pronto, a não ser a minha própria vontade e imposição. Não existe impedimento para uma pausa, fazer um relaxamento, um lanche, uma ginástica e, principalmente, ouvir os sinais que vêm do nosso corpo.
Sim, nosso organismo sempre nos envia sinais. E precisamos estar atentos e dispostos a ouví-los. Somos uma máquina maravilhosa que suporta as mais altas cargas de estresse. Até certo ponto!
Luiz Carlos me motivava a pensar na minha família, no lazer, em realizar sonhos. Eu, muitas vezes ouvia e não assimilava. Não assimilava porque não via meu "mestre" dar o exemplo. Ele era um abnegado, e se ele não me dava o exemplo, porque eu deveria seguir seus conselhos?
Talvez, se ele tivesse colocado Luiz Carlos Campos como prioridade na sua agenda, tivessemos ainda a sua companhia hoje.
Fiquei tão abalado com o que ele passou que comecei a rever meus hábitos, meu estilo de vida e, principalmente, entendendo que todos nós um dia iremos deixar esse mundo, inevitavelmente, mas temos a obrigação de viver o mais que pudermos e, por isso, nunca podemos nos encaixar nas horas vagas da agenda.
Achei inacreditável como um homem com sua energia e tanto por fazer nesse mundo pode partir tão jovem, aos 55 anos. Mas, como disse anteriormente, Luiz tinha uma missão de desenvolver pessoas e na minha visão, que pode ser considerada até certo ponto estranha para alguns, acho que ele cumpriu essa tarefa até na sua partida, nos fazendo repensar uma série de coisas.
Temos que agendar reuniões periódicas com o nosso "Eu", agendar tarefas para nosso bem estar físico e mental. Mesmo quando o trabalho é prazeroso, não podemos nunca esquecer que se trata de trabalho, e que ele significa o oposto de descanso, e isso é fundamental para que nossa máquina maravilhosa continue funcionando o máximo de tempo que Deus nos permitir.
Luiz Carlos, esteja onde você estiver, que sua luz continue a iluminar-nos e contribuir para que sejamos ser seres humanos, profissionais e líderes melhores a cada dia.
Bem, vou fazer uma pausa para o almoço.

Luiz Carlos Campos 1950 † 2005

É com grande tristeza e emoção que coloco este post do falecimento grande mestre e profissional de RH do nosso Brasil....
Faleceu na madrugada desse domingo vítima de câncer o presidente do Sistema Nacional ABRH, Luiz Carlos Cerreia Campos. Campos deixa esposa e 4 filhos e uma legião de admiradores do seu estilo de liderança. Ele foi um líder e um profissional de Recursos Humanos na sua mais completa definição. Motivador, entusiasmado, brilhante, compreensivo, rígido quando necessário, Campos era, acima de tudo, um apaixonado pelas pessoas e pelo seu trabalho.
Formado em administração pela Universidade Gama Filho e pós-graduado em Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas, Campos acumulava 28 anos de experiência atuando na área de RH. Com passagem por importantes empresas como o estaleiro Verolme, Coca-Cola, e Alcatel, ele se tornou um empreendedor, qualidade inerente da sua personalidade, ao montar sua própria empresa, especializada em saúde no trabalho - a Joll Consultoria.
Campos dividia seu tempo entre a família, a empresa e as atividades associativas. Foi presidente da seccional Rio da Associação Brasileira de Recursos Humanos durante dois mandatos consecutivos, de 1997 à 2003, quando foi eleito presidente do Sistema Nacional ABRH. Logo no primeiro ano de mandato ele enfrentou o maior desafio da associação, organizar pela primeira vez o Congresso Mundial de Recursos Humanos no Brasil. O maior evento de Recursos Humanos até então realizado no País aconteceu em 2004 no Riocentro e foi um sucesso absoluto, batendo o recorde de público.
Na época do mundial, Campos começou a enfrentar os problemas de saúde. Mas mesmo assim não deixou de se dedicar à associação e seu trabalho foi fundamental para o êxito do congresso.

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Chamar o trabalho do funcionário de "merda" gera indenização e dano moral

É.... agora, que se cuidem os maus chefes...

4ª Turma do TRT-SP (Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo) condenou o Núcleo Educacional Coração de Maria, de Mogi da Cruzes (SP), a pagar R$ 15 mil de indenização a uma ex-empregada por ter forçado seu pedido de demissão, desqualificando seu trabalho em público. De acordo com a reclamante, a diretora teria qualificado seu trabalho como "desprezível" e "uma merda, sem condição nenhuma de continuidade".
Segundo o TRT-SP, a professora, que trabalhava como coordenadora pedagógica da escola, pressionada, pediu demissão porque teria sido rebaixada de suas funções e "acintosamente ofendida" pela diretora da escola durante reunião do corpo docente. Ela entrou com uma ação na 1ª Vara do Trabalho de Mogi reclamando indenização por danos morais e que seu pedido de demissão fosse convertido em rescisão indireta do contrato de trabalho em virtude de falta grave do empregador, com o pagamento das verbas rescisórias.
Ainda segundo a educadora, dias depois, a direção da escola teria voltado a indagar se ela continuaria a fazer parte do corpo docente, ou se iria pedir demissão.
Como o representante da escola não compareceu à audiência de instrução do processo, a vara aplicou a pena de confissão, ou seja, aceitou como verdadeiros todos os fatos narrados na petição inicial da ação, condenando o colégio Coração de Maria a pagar à ex-funcionária a multa de 40% sobre o saldo do FGTS, aviso prévio, 13º proporcional, férias proporcionais, entre outras verbas rescisórias. A sentença também fixou indenização por danos morais de R$ 15 mil.
Inconformadas com o valor de indenização, a reclamante e a empregadora recorreram ao TRT-SP. A professora pediu que a elevação para R$ 25 mil. Já a escola pediu a redução para R$ 1.500, sustentando que a ex-empregada não comprovou as ofensas e que teria sido forçada a rescindir o contrato de trabalho.
Para o juiz Paulo Augusto Camara, relator do recurso ordinário no tribunal, como a ré não compareceu à audiência na qual deveria depor, foi corretamente aplicada a pena de confissão quanto à matéria de fato. "Assim, não há como exigir da autora a produção de provas acerca do fato constitutivo do direito", observou.
De acordo com o relator, "a subjetividade que envolve a questão do dano moral dificulta a dimensão dos prejuízos oriundos da lesão sofrida. Todavia, não é permitido perder de vista a amplitude da ofensa, a necessidade do ofendido, a capacidade patrimonial do ofensor e o princípio da razoabilidade".
"Por outro lado, deve ser ressaltado que não há indícios de que os termos ofensivos utilizados na malfadada reunião tenham ganhado repercussão tamanha que justifique o redimensionamento da indenização", decidiu.
Por unanimidade, os juízes da 4ª Turma mantiveram a sentença da 1ª Vara do Trabalho de Mogi das Cruzes.

sábado, 3 de setembro de 2005

Mudanças estruturais na gestão de RH

Pode-se considerar o surgimento da área de Humanas na década de 1940, durante a gestão presidencial de Getulio Vargas com a criação do Ministério do Trabalho, que por sua vez, elaborou a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT.
Nessa ocasião, para a manutenção e controle da CLT, os empresários necessitavam de profissionais com uma postura disciplinar – advogado ou contador-, para executar a legislação, sendo criada assim, as Sessões de Pessoal, que tinham por atribuição: admitir, demitir, promover, transferir, punir e remunerar os funcionários. As Sessões de Pessoal não tinham nenhuma participação nas decisões ou envolvimento nos resultados das empresas.
Na década de 1960, as empresas estrangeiras (principalmente as montadoras de carros) começaram a investir no Brasil (na região do ABCD em São Paulo), em decorrência de uma gestão empreendedora e de credibilidade do então Presidente Juscelino Kubitschek. Instalaram–se a Ford, GM, VW, entre outras. Ocasião em que a necessidade de mão de obra era intensa, devido à falta de tecnologia e informações.
As "Seções de Pessoal" perceberam a necessidade de capacitação, treinamento e desenvolvimento da mão de obra, seleção apurada dos candidatos, criação de métodos de avaliação de desempenho, entre outras ferramentas de gestão. Em conseqüência, na década de 1970, as "Seções de Pessoal" passaram por uma atuação mais intensa, profissionalizante e abrangente, transformando-se em "Gerência de Relações Industriais" – GRI – envolvendo-se aos poucos com as diretrizes da organização.
Na década de 1980, os modelos japoneses invadiram nossos ambientes de trabalho por meio dos Comitês de Qualidade, “Just in Time”, entre outros. As Gerências de Relações Industriais foram mais exigidas com relação à atuação, competência, qualidade e produtividade de desempenho dos empregados.
Com a globalização, tecnologia, informação, nos anos de 1990, o modelo de Relações Industriais, ainda restritivo, desatualizou-se, dando início a um novo conceito de atuação: a Gestão de Recursos Humanos/Pessoas onde o foco é a capacitação do funcionário, voltado aos resultados da empresa.
Nesse novo modelo de gestão, todos os integrantes das equipes de trabalho são conscientes e responsáveis pelos resultados da empresa. Os Gerentes de Área acumulam também a função de Gestores de RH, compartilhando das decisões da empresa, juntamente com a Gestão de RH Estratégico, que por sua vez, elabora as políticas macro e estratégicas com a Direção Geral da organização.
Por fim, conclui-se que o RH da empresa é compartilhado pelos Gerentes de Área juntamente com o RH Estratégico da organização, necessitando portanto, de uma grande interação e conscientização entre as partes envolvidas quanto às metas e resultados da empresa.
Prof. Maria Rita Metran Fatuch Drabavicius

Desconfie da intuição

“Pelo jeito como ele respondeu, percebi que a vaga é minha. Acho que estou empregado. Minha intuição me diz”. De repente, lá vem a decepção: outro conquistou a vaga. A existência da decepção é a prova de que a intuição é vulnerável, não é uma forma conhecimento em que se pode confiar. Pela intuição a pessoa acha que nada vai dar errado, mas, de repente, lá vem o erro e o sofrimento que traz. Por outro lado, é importante desenvolver a intuição porque ela traz efetivamente uma forma de conhecimento, não conscientemente verbalizado ou racionalmente percebido.
O que fazer?
· Desenvolva a intuição, mas nunca se fie nela. Pesquise e teste tudo antes de decidir.
· Procure afastar os pré-julgamentos trazidos pela intuição – e olhe tudo com a neutralidade.
· Quando tiver de decidir no escuro procure apurar a intuição e aposte nela, mas procure sempre deixar salvaguardas para caso as coisas saiam errado.
· Não abra mão de outras possibilidades já testadas e aprovadas por conta de uma possibilidade anunciada exclusivamente pela intuição.
E principalmente não confunda intuição com esperança, ilusão, sonho. Nada contra sonhar e ter esperanças, mas sem apostas certas, para não se decepcionar.
José Antônio Rosa