Cresce o número de executivos com menos de 35 anos
Os mais jovens, até 35 anos, são minoria nos cargos de alto escalão, gerenciais e de chefia. Em 2001, não haver sequer um executivo com idade entre 16 e 24 anos entre as 500 maiores empresas do país. Esse percentual pouco se alterou em 2003: apenas 0,02% tinha menos de 24 anos. Entre profissionais de 25 a 35 anos, os resultados foram um pouco mais expressivos: de 6%, em 2001, passaram a representar 7% dois anos depois.
Os dados são do último levantamento Perfil Social, Racial e de Gênero das 500 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas, realizada pelo Instituto Ethos em 2003 e conduzida pelo instituto de pesquisa Ibope, que mostra também que o maior grupo de executivos é formado por pessoas entre 46 e 55 anos, ocupando 41% do total dos cargos de alto escalão.
Para a diretora da área de consultoria organizacional e de recursos humanos da Performance Consultoria, Cristina Lepikson, não há uma idade ideal para ocupar cargos de gerência. Tudo é reflexo da cultura organizacional da empresa onde o profissional está inserido. "Antes de buscarmos o candidato, para toda vaga sempre é construído o perfil junto com o cliente, e esse perfil depende da cultura da empresa. Existem as que vão pela tradição e as que valorizam a questão da inovação. Mas o entusiasmo independe da idade. Para tê-lo, basta estar envolvido com o trabalho", declara.
Segundo Lepikson, o que vale é o conjunto das competências que o profissional desenvolveu e sua experiência técnica. "Há jovens que começam a trabalhar cedo e constroem uma carreira brilhante em pouco tempo. Há trainees, por exemplo, que podem chegar a liderar equipes após cerca de seis anos", argumenta.
No caso de a capacidade técnica já ser consolidada, Lepikson afirma que é a questão comportamental que passa a ser mais observada, o que envolve espírito de liderança, habilidade para busca de soluções, gerenciar mudanças, saber lidar com conflitos, capacidade de comunicação e resistência à pressão.
Trainee - Já a diretora técnica da Ativa Recursos Humanos, Sônia Costa, acredita que hoje o jovem está mais perto dos cargos de chefia que antigamente. "Os jovens têm chegado mais cedo ao mercado de trabalho por conta das diversas oportunidades de estágio e programas de trainee, o que faz antecipar a vida profissional", analisa.
Segundo Costa, é fundamental, na hora de contratar um profissional jovem, se observar o nível de responsabilidade e o escopo do cargo de liderança que ele vai exercer. "Depende muito do segmento da empresa. Em certas áreas, é muito importante ter vivência para saber lidar com gestão de pessoas e administração de processos, e ter um jovem no comando pode ser um risco. Já em áreas como informática, moda e telefonia móvel, por exemplo, os jovens têm grande desenvoltura e é mais permitido que eles estejam na chefia", declara.
Hoje, o perfil do executivo jovem, avalia Sônia Costa, engloba boa formação acadêmica e alguma especialização, como mestrado ou MBA, além de conhecimento de algum outro idioma (de preferência inglês). "As empresas têm interesse em contratar jovens. Eles querem alguém em quem possam estar investindo e um tempo maior de retorno dentro da empresa", considera a especialista.
As habilidades pessoais também contam muito na hora de recrutar um jovem para um cargo do alto escalão. Flexibilidade para lidar com situações de pressão, de mudança ou imprevistos, para responder às mudanças do mercado, habilidade para lidar com pessoas e ser direcionado para resultados são itens importantes que devem fazer parte da bagagem do jovem que almeja subir muitos degraus na vida profissional.
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