“Pediram a um grilo que citasse três animais mansos e três animais ferozes e o grilo não hesitou em listar, como animais mansos, o leão, o tigre e a cascavel; e, como animais ferozes, o pardal, a rã e a galinha.”
No dicionário criatividade é a qualidade do criativo; capacidade criadora; inventividade.
Segundo uma das maiores autoridades no mundo em Pesquisa da Criatividade, Edward de Bono: “criatividade não é simplesmente uma maneira de fazer melhor as coisas. Sem ela, somos incapazes de fazer pleno uso das informações e experiências que já estão disponíveis e estão presas a antigas estruturas, padrões, conceitos e percepções."
Para Maslow, criador da famosa pirâmide que levou seu nome é: “atividade mental organizada, visando obter soluções originais para satisfação de necessidades e desejos".
Eu gosto de pensar que é a criação de soluções simples e originais para problemas complexos e aparentemente sem solução. Por isto, a frase que mais gosto é do músico Charles Mingos: “complicar o simples é fácil. Criatividade é tornar o complicado em simples".
Infelizmente o que acontece na maior parte das vezes é exatamente o oposto, soluções complexas que ao invés de simplificar nossas vidas, trazem mais problemas, burocracias e dificuldades.
Edward de Bono, em uma de suas últimas obras "Simplicity", fala da simplicidade como uma questão estratégica. Diz que "sem simplicidade, acontecem pelo menos duas coisas: Primeiro, a vida se torna mais complexa e as pessoas mais ansiosas. Segundo, não estaremos em condições de tirar vantagem de tudo o que o desenvolvimento tecnológico oferece. Portanto, a simplicidade se transformará num valor-chave ou central, ou seja, como projetar alguma coisa para que seja simples" (Entrevista para a revista HSM Management em abril de 2001).
Ainda nesta entrevista perguntou: “De que adianta uma super filmadora com milhares de funções se apenas 5% das pessoas conseguem usar mais de 10%?
Tudo deveria ser mais simples, as empresas, instituições, processos, equipamentos eletrônicos, Web Sites, Softwares, governos e principalmente as pessoas.
Idéias criativas podem resolver problemas com simplicidade.
Vejam um exemplo do que acabo de falar:
Eu não gosto dos desodorizadores que ficam pendurados nas privadas dos banheiros e que servem para deixá-las limpas e com bom cheiro. Além de estética discutível, às vezes se soltam e ainda tem o contato físico para troca do refil.
Na casa da minha cunhada todas as descargas são do tipo que, após o uso, temos que aguardar alguns instantes até que o nível de água se encha, para só então, voltarem a ser utilizadas. Exatamente como na minha e em muitas outras casas no Brasil.
Muito bem, após usar o banheiro utilizei a descarga e reparei que a água tinha ficado azul e perfumada. Não entendi, procurei o desodorizador e nada? Ainda demorei alguns instantes até compreender o havia acontecido.
Ela teve o “insight” de colocá-lo dentro do recipiente onde a água da descarga é armazenada. Assim, toda vez que a descarga é acionada, a água fica perfumada.
Esta idéia me lembrou mais uma das célebres frases de Einstein: "Se no início a idéia não parecer absurda, não há esperanças para ela.”
Achei genial a solução e me perguntei: por que não pensei nisto antes?
Normalmente as idéias criativas são tão simples e obvias que ficamos com essa estranha sensação.
Bastou apenas um olhar diferente para o "problema", sobre um outro ponto de vista e pronto, surgiu uma solução simples e original. Não era perfeita e muito menos a mais econômica, na verdade foi uma improvisação, mas enfim, resolveu o problema dela e o meu por tabela.
Ela pensou diferente, fora dos padrões normais e solucionou criativamente o seu problema. O professor Edward de Bono chama este raciocínio de: “pensamento lateral”.
Para explicar, diz que podemos raciocinar de duas maneiras diferentes:
Verticalmente: “cavando cada vez mais fundo sempre no mesmo lugar".
É quando insistimos em resolver problemas utilizando apenas com nossos conhecimentos e experiências.
Lateralmente: "cavando em outros lugares quando não achamos o que estamos procurando".
Ou seja, é quando diante de um problema novo, desconhecido ou aparentemente impossível, damos asas à imaginação nos libertando das regras e amarras da nossa educação e sociedade.
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